29.7.10

465. Das palavras

As palavras pertencem metade a quem fala, metade a quem ouve.

Montaigne

28.7.10

464. O excesso de leitura

Existem dois modos distintos de ler os autores: um deles é muito bom e útil, o outro, inútil e até mesmo perigoso. É muito útil ler quando se medita sobre o que é lido; quando se procura, pelo esforço da mente, resolver as questões que os títulos dos capítulos propõem, mesmo antes de se começar a lê-los; quando se ordenam e comparam as ideias umas com as outras; em suma, quando se usa a razão. Ao contrário, é inútil ler quando não entendemos o que lemos, e perigoso ler e formar concei­tos daquilo que lemos quando não examinamos suficientemente o que foi lido para julgar com cuidado, sobretudo se temos memória bastante para reter os conceitos firmados e imprudência bastante para concordai com eles. O primeiro modo de ler ilumina e fortifica a mente, aumen tando o seu entendimento. O segundo diminui o entendimento e gra­dualmente o torna fraco, obscuro e confuso. Ocorre que a maior parle daqueles que se vangloriam de conhecer as opiniões dos outros estucl;i apenas do segundo modo. Quanto mais lêem, portanto, mais fracas e mais confusas se tornam suas mentes.

Malebranche

27.7.10

463. Como ler

Leia não para contradizer nem para acreditar, mas para ponderar e considerar. Alguns livros são para serem degustados, outros para serem mastigados e digeridos. A leitura torna o homem completo, as preleções dão a ele a prontidão, e a escrita torna-o exato.

Francis Bacon

26.7.10

462. A mania de citar

Não importa qual fosse o livro que eu estivesse lendo, adquiri o hábito de anotar por escrito sentenças isoladas ou passagens curtas que me parecessem dignas de atenção. Fazia isso tendo em vista o meu próprio uso ou para simples desfrute, como dizem os advogados, sem intenção alguma de publicar. Até que mais recentemente me ocorreu pelo menos uma parte dessas citações — já na casa dos milhares - poderia despertar o interesse de outras pessoas. Daí este livro.

Viscount Samuel

25.7.10

461. Da inutilidade dos prefácios

Um livro que ninguém espera, que não responde a nenhuma pergunta formulada, que o autor não teria escrito se tivesse seguido a sua lição ao pé da letra, eis enfim a excentricidade que hoje proponho ao leitor.

George Bataille

24.7.10

460. Millôr e a adivinhação

Amanhã vai ser um dia esplêndido, mas não sei se melhor do que ontem
- como dizia o adivinho desmemoriado.

23.7.10

22.7.10

458. Millôr e a permissividade

Não é em tudo que estou de acordo com a juventude. Agora, essa permissividade, essa revolução sexual, não sei não, mas é uma coisa que
me interessa muito.

21.7.10

457. Millôr e a aderência

Você pode ser a favor de todas as pessoas algum tempo. Você pode ser a favor de algumas pessoas todo o tempo. Mas você não pode ser a fa­vor de todas as pessoas todo o tempo.

20.7.10

456. Millôr, Deus e a corrupção

Está bem. Deus é brasileiro. Mas pra defender o Brasil de tanta corrup­ção só colocando Deus no gol.

19.7.10

455. Millôr e a riqueza

Só no dia em que começaram a pagar bem pelo que eu escrevia come­cei a aceitar que era rico de ideias. Bem, rico não, remediado de idei­as.

18.7.10

454. Millôr e a ação

Chegar, fazer, completar - isso é que é conseguir. Nada é maior do que a infinitude, não é mesmo?, assim como nada é menor do que o critério com que medimos nossa própria insignificância. Explicando melhor; agora não é antes nem depois, da mesma forma como o ontem nunca será amanhã, embora bastem 48 horas pra que o amanhã seja ontem. Como diria Maricá - só com a ação se escapa da inércia.

17.7.10

453. Millôr: um acalanto

Deita, filho

E constrói teu sono

O medo já vem.

Fecha os olhos dos ouvidos

Faz escuro aos ruídos

Amortece o brilho desse som.

Pronto, a angústia gira muda

No longplei sem sulcos

Da noite sem insônia.

Dorme, filho,

Faz silêncio em Babilônia.

15.7.10

451. O que querem as mulheres?

(…) as mulheres americanas esperam encontrar nos maridos a perfeição que as inglesas só exigem dos seus mordomos.

Somerset Maugham, O fio da navalha

13.7.10

449. Grandes e pequenos

Ficamos pequenos na tentativa de nos tornarmos grandes.

Eli Stanley Jones

12.7.10

448. Da morte

A morte é mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos vivem.

Anônimo

11.7.10

447. Forças

A força que faz o bem é também a força que causa o dano.

Milton Friedman

10.7.10

446. Nem melhores nem piores

Não ficamos nem melhores nem piores com a idade e sim mais parecidos conosco mesmos.

May L. Becker