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17.2.12

980. Nelson Para Sempre Rodrigues–10 de 10

Um vago decote pode comprometer o infinito. Só o ser amado tem o direito de olhar um simples decote.

16.2.12

979. Nelson Para Sempre Rodrigues–9 de 10

Cacilda Becker viveu em tensão desesperadora. Essa plenitude foi o seu martírio. Pobre amiga, crispada de sonho.

15.2.12

978. Nelson Para Sempre Rodrigues–8 de 10

Nasci em 1912. E, através das gerações, não tenho feito outra coisa senão beber água da bica. Não vejam nas minhas palavras nenhuma vaidade. “Ser sóbrio” não é glória para mim. Estou com o Helio Pellegrino, que afirma: – “O defeito do Nelson é não beber”. Sou – ouso dizê-lo – um sóbrio nato. Sóbrio por vocação, destino e desgraça.

13.2.12

976. Nelson Para Sempre Rodrigues–6 de 10

Sou um suburbano. Acho que a vida é mais profunda depois da praça Saens Peña. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte.

12.2.12

975. Nelson Para Sempre Rodrigues–5 de 10

Walter Clark é um homem que vive tropeçando em milhões. Tem um ar típico de garoto do Pedro II fazendo gazeta na Quinta da Boa Vista. Conta-se que ele arranca contratos de publicidade até em velórios, até em cemitérios. Um cálido sopro marinho devasta-lhe o chuca-chuca de menino-prodígio. Tem um automóvel branco, nupcial, imaculado, forrado de arminho. É um gênio da televisão.

11.2.12

974. Nelson Para Sempre Rodrigues– 4 de 10

No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.

10.2.12

973. Nelson Para Sempre Rodrigues–3 de 10

No ano de 2010, o Brasil será maior que os Estados Unidos, a Rússia e qualquer outro. O Brasil é que dirá a grande Palavra Nova.

8.2.12

971. Nelson Para Sempre Rodrigues–1 de 10

São Paulo não tem horizonte, simplesmente não tem horizonte. Ou por outra: – o horizonte paulista está a cinco metros do sujeito e é uma parede.

11.1.11

3.6.10

410. Nelson e os santos

Qualquer um tem o seu momento de são Francisco de Assis, e insisto: – o vigarista, o batedor de carteiras, o ladrão de galinhas ou o Drácula pode, sob um estímulo qualquer, virar um santo feérico.

Nelson Rodrigues

2.6.10

409. Nelson e a razão

O mundo só pode ser dos que têm razão. Mas a razão é todo um maravilhoso esforço, toda uma dilacerada paciência, toda uma santidade conquistada, toda uma desesperada lucidez. Não era bem assim que eu queria dizer. Mas faltam-me palavras.

Nelson Rodrigues

1.6.10

408. Nelson e os quadris

A paisagem carioca anda escassa de gordas. Não há os antigos quadris monumentais. E, outro dia, um parteiro me a confidência amarga: — "Bacias estreitas". Ali, numa restrição sucinta, estava todo o julgamento de uma época.

Nelson Rodrigues

31.5.10

407. Nelson e o pacto de morte

Para mim, mais patético do que cem mortos é o casal que se mata de amor e por amor.

Nelson Rodrigues

30.5.10

406. Nelson, o louco varrido

Ao longo de vinte anos, fui o único autor obsceno do Brasil. E, durante esse período, fui chamado de tarado em manchete. Os críticos me xingavam de "cérebro doentio", de “caso de polícia", de "louco varrido".

Nelson Rodrigues

29.5.10

405. Nelson e Napoleão

O único Napoleão realizado é o Napoleão de hospício, que jamais terá um Waterloo e uma Santa Helena.

Nelson Rodrigues

28.5.10

404. Nelson, Machado e a escarradeira

Não há, em todo o Machado de Assis, uma única referência à escarradeira. Aí está um lapso romanesco indesculpável. Por que não a citar se, na época, era obrigatória em todas as salas, em todas as alcovas, em todos os corredores e até nas varandas?

Nelson Rodrigues