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3.1.10

28.9.09

O retrato de um Natal de outrora

Oh, suave ironia dos malandros! Na baiúca havia alegria, parati, álcool, fantasia, talvez o amor nascido de todas aquelas danças e do insuportável cheiro do éter floral.

Não havia, porém, com que comer. Diante de Jesus, que só lhes dera o dia de amanhã, a queixa se desfazia num quase riso. Um quilo de carne para tante gente!

Talvez nem isso! Saí, deixei o último presepe.

De longe, a casinhola com suas iluminações tinha um ar de sonho sob a chuva, um ar de milagre, o milagre da crença, sempre eterna e vivaz, saudando o natal de Deus através da ingenuidade dos pobres. Como seria bom dar-lhes de comer, ó Deus poderoso!

Como lhes daria eu um farto jantar se, como eles, não tivesse apenas a esperança de amanhã obter um quilo de carne só para mim.

João do Rio, A alma encantadora das ruas

4.8.09

Os homens e os dirigentes públicos

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No que me diz respeito, jamais me entregarei de bom grado, e outorgando-lhe minha confiança, a qualquer dirigente público que não esteja compenetrado de que, ao conduzir um povo, conduz homens, homens de carne e osso, homens que nascem, sofrem e, ainda que não queiram morrer, morrem; homens que são fins em si, e não apenas meios; homens que são o que são, e não outros; homens, enfim, que buscam o que chamamos de felicidade.

Miguel de Unamuno