Julgamo-nos puros enquanto desprezamos o que não desejamos.
Marguerite Yourcenar
Um blog com textos edificantes, axiomas invioláveis e assertivas imponentes!!!
Julgamo-nos puros enquanto desprezamos o que não desejamos.
Marguerite Yourcenar
Quem são os nossos inimigos? Quem são os nossos amigos? Esse problema é de uma importância primordial para a revolução. A razão fundamental pela qual as passadas lutas revolucionárias na China obtiveram tão fracos resultados está em não se ter sabido fazer a união com os verdadeiros amigos para atacar os verdadeiros inimigos. Um partido revolucionário é o guia das massas, não podendo portanto uma revolução alcançar a vitória se este as conduz pela via errada. Para não dirigirmos as massas pela falsa via, e a fim de estarmos seguros de alcançar definitivamente a vitória na revolução, devemos prestar atenção à unidade com nossos verdadeiros amigos para atacarmos os nossos verdadeiros inimigos. Para distinguir os verdadeiros amigos dos verdadeiros inimigos, devemos proceder a uma análise geral da situação econômica das distintas classes da sociedade chinesa, bem como das respectivas atitudes frente à revolução.
Mao Tsé-Tung
O acaso é uma besteira de Deus.
Millôr Fernandes
Chiang Kai-Shek procura sempre arrebatar ao povo cada polegada de poder e cada centímetro de vantagem por este conquistada. E nós? A nossa política é responder-lhe taco a taco e lutar por cada palmo de terra. Nós agimos conforme ele age. A todo momento ele procura impor a guerra ao povo, uma espada na mão esquerda e outra da direita. Nós seguimos o seu exemplo, também empunhamos a espada... Como Chiang Kai-Shek está agora afilando as suas espadas, nós devemos também afilar as nossas.
Mao Tsé-Tung
A poesia de Drummond é de uma fidelidade absoluta à precisão. À antirretórica, à vagueza da auto-indulgência e da autopiedade.
Paulo Francis
A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada. De terminar com ela também.
Oscar Wilde
Um ministro do Exterior real no Brasil estaria procurando uma política externa para o Braisl que incluiria a concepção de um mercado comum das Américas. As Américas têm tudo, como notou Joseph Kennedy, óleo, ouro, fertilidade agrícola etc, sem precisar de continente algum.
Paulo Francis
Não entendo a naturalidade absurda com que as pessoas entram num avião. Piloto, comissários, telegrafista, a aeromoça, os passageiros, todos têm uma espécie de halo intenso e lívido. Cada voo é um idílio com a morte.
Nelson Rodrigues
Aos quinze anos orientei o meu coração para aprender. Aos trinta, plantei meus pés firmemente no chão. Aos quarenta, não mais sofria de perplexidade. Aos cinquenta, sabia quais eram os preceitos do céu. Aos sessenta, eu os ouvia com ouvido dócil. Aos setenta, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, pois o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça.
Confúcio
[Contemplando o mar de peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio]:
O Brasil é o único país do mundo em que peixe morre afogado.
Tobias
Numa sociedade de classes, cada indivíduo existe como membro de uma classe determinada, e cada forma de pensamento está invariavelmente marcada com o selo de uma classe.
Mao Tsé-Tung
A mim não surpreende a relutância de Costa e Silva em proclamar o AI-5. Achava na ocasião que o dito-cujo veio de baixo para cima, de pressões de grupos da jovem oficialidade, de grupos nacionalistas, presumo, porque, a essa altura, a velha Sorbonne chamada, os oficiais do estado-maior da Escola Superior de Guerra, que queriam um Brasil economicamente liberal, já haviam esgotado seus cartuchos com o governo Castello Branco, que hoje me parece da maior importância e competência por romper algumas amarras do nacionalismo reacionário que Getúlio Vargas impôs ao Brasil. Mas durou pouquíssimo.
Paulo Francis
Repreende o amigo em segredo e elogia-o em público.
Leonardo Da Vinci
As coisas mais desagradáveis que os nossos piores amigos nos dizem pela frente não se comparam com as que nossos amigos dizem de nós pelas costas.
Alfred de Musset
Há pouca amizade no mundo, sobretudo entre pessoas da mesma classe.
Francis Bacon
Lygia Fagundes Telles me manda o seu livro e de Paulo Emílio sobre Capitu, que serviu de base para o filme de Saraceni. No prefácio, nota que Bentinho, ao saber da morte do filho, vai jantar fora e ao teatro. Acha que o filho não é dele, e, sim, de Escobar com Capitu, mas o menino era carinhoso com Bentinho, escreve Lygia, chamava-o de pai, logo por que celebraria sua morte? Mais uma vez me parece que mulher não entende certas reações masculinas. Falei outro dia de Aquiles goazndo fraternamente um troiano antes de matá-lo, o que deixou Simone Weil chocada. Agora, o prazer furibundo de Bentinho em ver o filho da p... morto escapa à bela Lygia. E por que essa mania de inocentar Capitu? Dos acadêmicos posso até entender, seu conformismo servil à moda, de que a mulher é sempre vítima do homem, mas de Lygia e Paulo? Tanto ele como ela frequentavam um círculo em que adultério é sabido e consentido, o mais perdoado dos pecados, de resto, em geral, cometido por marido e mulher. Mas, quando encrenca, é fogo pro Palestra. Já notei que várias pessoas com quem converso não entendem o ódio de Merteuil por seu cúmplice e ex-amante Valmont, em Ligações perigosas, quando ele se apaixona por outra mulher. Um filme que vi, o melhor de Romy Schneider, o último que fez, antes de se suicidar, talvez ajude. Ela é casada com Michel Serrault, a quem acusa de haver molestado uma menina. A polícia acredita e Serrault é impiedosamente interrogado por Lino Ventura, o policial. Até que Ventura desconfia e descobre que Romy Schneider odeia o marido porque um dia ele olhou, inocentemente, para uma menina (outra), numa festa de Natal, com ternura que nunca teve com ela, sua mulher. É uma grande cena. O filme se chama Garde à vue, que me dizem é "prisão preventiva".
Paulo Francis
O A é uma letra com sótão. Chove sempre um pouco sobre o à craseado. O B é um I que se apaixonou por um 3. O b minúsculo é uma letra grávida. Ao C só lhe resta uma saída. O Ç cedilha, esse jamais tira a gravata. O D é um berimbau bíblico. O e minúsculo é uma letra esteatopigia (esteatopigia, ensino aos mais atrasadinhos, é uma pessoa que tem certa parte do corpo, que fica atrás e embaixo, muito feia). O E ri-se eternamente das outras letras. O F, com seu chapéu desabado sobre os olhos, é um gangster à espera de oportunidade. O f minúsculo é um poste antigo. A pontinha do G é que lhe dá esse ar desdenhoso. O g minúsculo é uma serpente de faquir. O H é uma letra duplex. A parte de cime é muda. Serve também como escada para as outras letras galgarem sentido. O h minúsculo é um dinossauro. O I maiúsculo é um bilboquê. O J, com seu gancho de pirata, rouba às vezes o lugar do g. O j minúsculo é uma foca brincando com sua bolinha. Vê-se nitidamente; o K é uma letra inacabada. Por enquanto só tem os andaimes. Parece que vão fazer um R. Junto com o k minúsculo, o K maiúsculo treina passo-de-ganso. O L maiúsculo parece um l que extraíram com a raiz e tudo. Mas o I minúsculo não consegue disfarçar que é um número (1) espionando o alfabeto. O M maiúsculo é o gráfico de uma firma instável. O m minúsculo é uma cadeia de montanhas. O N é um M perneta. No n minúsculo pode-se jogar críquete com a bolinha do o. O O maiúsculo boceja largamente diante da chatura das outras letras. O o minúsculo é um buraquinho no alfabeto. O p é um d plantando bananeira. Ou o q, vindo de volta. O Q maiúsculo anda sempre com o laço do sapato solto. O q minúsculo é um p se olhando de costas ao espelho. O R ficou assim de tanto praticar halterofilismo. Sente-se que o s é um cifrão fracassado. O S maiúsculo é um cisne orgulhoso. Na balança do T se faz jusTiça. O U é uma ferradura do alfabeto, protegendo o galope das ideias. O u minúsculo é um n com as patinhas pro ar. O V é uma ponta de lança. O W são vês siameses. O X é uma encruzilhada. O Y é a taça onde bebem as outras letras. Desapareceu do alfabeto porque se entregou covardemente, de braços pra cima. O Z é o caminho mais curto, depois da bebida. O z minúsculo é um s cubista.
Millôr Fernandes
Ninguém até hoje perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do povo americano.
H. L. Mencken