9.9.09

As mulheres da Belle Époque

Ah, em 1915 as mulheres tinham um repertório de gritos que as novas gerações não usam, nem conhecem. Era bonito "ser histérica".

Nelson Rodrigues

8.9.09

Lugares cheios

Mistério: se onde todo mundo vai nunca tem lugar, por que todo mundo não vai pra onde tem lugar sobrando?

Millôr

7.9.09

O povo e a pintura

Se mais de 10% da população gostar de um quadro, ele deveria ser queimado. Deve ser muito ruim.

Bernard Shaw

6.9.09

Sobre as cidades

A cidade não é uma selva de concreto. É um zoo humano.

Desmond Morris

5.9.09

Os amigos e os favores

Não deve o homem, pelo maior amigo, esquecer os favores recebidos do menor.

Dante Alighieri

4.9.09

Petrópolis

Nos verões dantanho, Petrópolis era o anexo refrigerado de Botafogo.

Carlos Heitor Cony

3.9.09

O que é a longevidade?

É o horror de existir em um corpo humano cujas faculdades declinam, é uma insônia que se mede por décadas e não com ponteiros de aço, é o peso dos mares e pirâmides, de antigas bibliotecas e dinastias, das auroras que Adão contemplou, é não ignorar que estou condenado a minha carne, a minha detestada voz, a meu nome, a uma rotina de lembranças, ao castelhano, que não sei manejar, à nostalgia do latim, que não sei, a querer mergulhar na morte e não poder mergulhar na morte, a ser e continuar sendo.

Jorge Luis Borges

2.9.09

Da saudade

Toda saudade é uma espécie de velhice.

Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas

1.9.09

A lei do mansinho

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E, outra coisa: o diabo, é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! Ah, uma beleza de traiçoeiro - dá gosto! A força dele, quando quer - moço! - me dá o medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho - assim é o milagre.

Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas

31.8.09

O mais importante

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Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas.

Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas

30.8.09

Deus e o diabo

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Moço!: Deus é paciência. O contrário é o diabo.

Guimarães Rosa: Grande Sertão: veredas

29.8.09

Os limites do escritor

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(...) um escritor, por mais inepto que seja, já sabe certas coisas. A primeira, seus limites. Sabe com razoável esperança o que pode tentar e - isso sem dúvida é mais importante - o que lhe está proibido.

Jorge Luis Borges

A era do glamour da aviação

O glamour se foi. Havia espaço no Clipper. Todo mundo era servido de chamapnhe. Quando se comprava uma passagem para o exterior ia um funcionário graduado da companhia nos levar em casa. Trabalhei na Panair do Brasil e havia um esprit de corps admirável. Bons tempos de aeroportos descongestionados, de aviões semivazios nas longas viagens, em que a comissária de bordo se dava ao luxo de sentar ao nosso lado para uma conversa civilizada. Dizem que a era do glamour em dirigir automóvel foi a década dos 20. Do avião foi por certo a década de 1950.

Paulo Francis

28.8.09

Meu amigo, meu tesouro

Um amigo fiel é uma proteção poderosa: quem o encontrou, encontrou um tesouro.

Eclesiástico

27.8.09

Curtir o Rio

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Trabalho o dia inteiro, mas ainda encontro tempo para curtir o Rio: chego em casa, ligo o ar-condicionado e boto um vídeo de turismo.

Hubert

25.8.09

Fé e inteligência

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As grandes inteligências rirão da minha fé. Eu me vingo rindo da fé nas grandes inteligências.

Josué de Castro

24.8.09

Careta da morte

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O senhor não duvide - tem gente, neste aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta.

Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas

Chet Baker por Paulo Francis

Ouço Chet Baker horas. O prazer é puramente sensorial, apesar de o jazz cool ter estruturação fincada em música maior, mas que importa? Chet tem a mesma qualidade de Ella, Sarah ou Billie, rara entre brancos.

Paulo Francis

23.8.09

Cidades

[Referindo-se à cidade mineira que mais exporta clandestinos para Nova York]:

Governador Valadares devia passar a se chamar Governador Valadólares.

Anônimo