22.9.10

519. Do Livro do Desassossego - XXIX

A melhor maneira de começar a sonhar é mediante livros. Os romances servem de muito para o principiante. Aprender a entregar-se totalmente à leitura, a viver absolutamente com as personagens de um romance, eis o primeiro passo. Que a nossa família e as suas mágoas nos pareçam chilras e nojentas ao lado dessas, eis o sinal do progresso.

Fernando Pessoa

20.9.10

517. Do Livro do Desassossego - XXVII

Criar ao menos um pessimismo novo, uma nova negação, para que tivéssemos a ilusão que de nós alguma coisa, ainda que para mal, ficava!

Fernando Pessoa

19.9.10

516. Do Livro do Desassossego–XXVI

No momento em que sofremos, parece que a dor humana é infinita. Mas nem a dor humana é infinita, pois nada há humano de infinito, nem a nossa dor vale mais que ser uma dor que nós temos.

Fernando Pessoa

18.9.10

515. Do Livro do Desassossego - XXV

Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em qualquer espírito, que não seja disforme, não existo crença em um Deus definido. É qualquer ente, existente e impossível, que rege tudo; cuja pessoa, se a tem, ninguém pode definir; cujos fins, se deles usa, ninguém pode compreender. Chamando-lhe Deus dizemos tudo, porque, não tendo a palavra Deus sentido algum preciso, assim o afirmamos sem dizer nada. Os atributos de infinito, de eterno, de omnipotente, de sumamente justo ou bondoso, que por vezes lhe colamos, descolam-se por si como todos os adjetivos desnecessários quando o substantivo basta. E Ele, a que, por indefinido, não podemos dar atributos, é, por isso mesmo, o substantivo absoluto.

Fernando Pessoa

17.9.10

514. Do Livro do Desassossego - XXIV

Viver não vale a pena. Só olhar é que vale a pena. Poder olhar sem viver realizaria a felicidade, mas é impossível, como tudo quanto costuma ser o que sonhamos. O êxtase que não incluísse a vida!…

Fernando Pessoa

16.9.10

513. Do Livro do Desassossego - XXIII

O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada tanto quanto possível, dos interesses alheios.

Fernando Pessoa

15.9.10

512. Do Livro do Desassossego - XXII

Reparo, também, que entre a vida dos homens e a dos animais não há outra diferença que não a da maneira como se enganam ou a ignoram. Não sabem os animais o que fazem: nascem, crescem, vivem, morrem sem pensamento, reflexo ou verdadeiramente futuro. Quantos homens, porém, vivem de modo diferente do dos animais? Dormimos todos, e a diferença está só nos sonhos, e no grau de qualidade de sonhar. Talvez a morte nos desperte, mas a isso também não há resposta senão a da fé, para quem crer é ter, a da esperança, para quem desejar é possuir, a da caridade, para quem dar é receber.

Fernando Pessoa

14.9.10

511. Do Livro do Desassossego - XXI

O mal das coisas da vida é que as podemos ir olhando por todos os lados… As coisas do sonho só têm o lado que vemos.

Fernando Pessoa

13.9.10

510. Criatividade

A incerteza e o mistério são energias da vida. Não as tema pois elas afastam o tédio e convidam a criatividade.

R. I. Fitzhenry

11.9.10

508. Das pedras

Os seres humanos sempre tropeçam em pedras, nunca em montanhas.

Emilie Cady

10.9.10

507. O perigo da luz

Aquilo que se propõe a dar luz, deve suportar a queimadura.

Viktor E. Frankl

9.9.10

506. Luz e sombras

Quando estiver caminhando pelo “vale de sombras”, lembre-se: a sombra é sempre criada por um foco de luz.

H. K. Barclay

7.9.10

504. Tempos difíceis e adversidades

As pessoas precisam de tempos difíceis e adversidades para desenvolver músculos psíquicos.

Frank Herbert

6.9.10

503. A arte de compreender

Os olhos veem apenas o que a mente está preparada para compreender.

Henri L. Bergson

5.9.10

502. O controle da natureza

O controle da natureza é tolamente tomado como um substituto adequado ao autocontrole.

Reinhold Niebuhr

4.9.10