17.10.10

542. A civilização e suas armas

As armas do civilizador são o álcool, a sífilis, as calças e a Bíblia.

Havelock Ellis

16.10.10

541. O poder da observação

O poder da observação acurada é geralmente chamado de cinismo por aqueles que não o possuem.

Bernard Shaw

13.10.10

540. Pathos chinês

Uma pessoa comum maravilha-se com coisas incomuns; um sábio maravilha-se com o corriqueiro.

Confúcio

12.10.10

539. Dos erros

Com toda a probabilidade, cada habilidade e cada filosofia já foi descoberta muitas e muitas vezes e novamente sucumbiu.

Aristóteles

11.10.10

538. A força de uma crença

Uma crença forte demonstra apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se acredita.

Nietzsche

10.10.10

537. Do conhecimento

Devo ensinar-lhe, Tzu-lu, no que consiste o conhecimento? Quando você sabe alguma coisa, reconhecer que sabe; e, quando você não sabe alguma coisa, reconhecer que não sabe. Isso é conhecimento.

Confúcio

9.10.10

536. O assassinato libertador

Nosso coração é tão agitado e a vida humana tão misteriosa que, mesmo num assassínio cívico, mesmo num assassínio libertador, se os há, o remorso de haver ferido um homem ultrapassa a alegria de haver servido ao gênero humano.

Victor Hugo

8.10.10

535. Do Livro do Desassossego - XXXV

Consoladora dos que não têm consolação, Lágrima dos que nunca choram, Hora que nunca soa — livra-me da alegria e da felicidade.

Ópio de todos os silêncios, Lira para não se tanger, Vitral de lonjura e de abandono - faze com que eu seja odiado pelos homens e escarnecido pelas mulheres.

Címbalo de Extrema-Unção, Carícia sem gesto, Pomba morta à sombra, Óleo de horas passadas a sonhar — livra-me da religião, porque é suave; e da descrença, porque é forte.

Lírio fanando à tarde, Cofre de rosas murchas, silêncio entre prece e prece – emche-me de nojo de viver, de ódio de ser são, de desprezo por ser jovem.

Torna-me inútil e estéril, ó Acolhedora de todos os sonhos vagos; faze-me puro sem razão para o ser, e falso sem amor a sê-lo, ó Água Corrente das Tristezas Vividas; que a minha boca seja uma paisagem de gelos, os meus olhos dois lagos mortos, os meus gestos um esfolhar lento de árvores velhinhas – ó Ladainhade Desassossegos, ó Missa-Roxa de Cansaços, ó Corola, ó Fluido, ó Ascensão!…

Que pena eu ter de rezar como a uma mulher, e não te querer como a um homem, e não te poder erguer os olhos do meu sonho como Aurora-ao-contrário do sexo irreal dos anjos que nunca entraram no céu!

Fernando Pessoa, Nossa Senhora do Silêncio

7.10.10

534. Do Livro do Desassossego - XXXIV

Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta ávida.

A vida é pois um intervalo, um nexo, uma relação, mas uma relação entre o que passou e o que passará, intervalo morto entre a Morte e a Morte.

Fernando Pessoa

6.10.10

533. Do Livro do Desassossego - XXXIII

Somos todos mortais, com uma duração justa. Nunca maior ou menor, Alguns morrem logo que morrem, outros vivem um pouco, na memória dos que os viram e amaram; outros, ficam na memória da nação que os teve; alguns alcançam a memória da civilização que os possuiu; raros abrangem, de lado a lado, o lapso contrário de civilizações diferentes.

Fernando Pessoa

5.10.10

532. Do Livro do Desassossego - XXXII

Dar bons conselhos é insultar a faculdade de errar que Deus deu aos outros.

Fernando Pessoa

4.10.10

3.10.10

530. Dei sim, e daí?

Sim, sim, sim. Sou homossexual. Mas não daqueles que gostam de fazer propaganda disso.

Gérard Lebrun

2.10.10

529. Os orgasmos de Lady Chatterley

Ansiava por orgasmos iguais aos de Lady Chatterley. Por que a lua não emapalidecia, ondas fantásticas não varriam a superfície da terra? Onde estava o meu guarda-caça?

Erica Jong

1.10.10

528. Felicidade

Faça com que sua felicidade jamais dependa da felicidade dos outros.

Mme. de Maintenon

30.9.10

527. Separação?!

Quando um casal se separa e deixa de se dar, um dos dois é mau caráter, quando não os dois.

Luiz Lobo

29.9.10

526. Ventos, velas e fogueiras

A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras.

Anônimo

28.9.10

525. O mesmo rio

A permanência é uma ilusão. Somente a mudança é real. É impossível entrar duas vezes no mesmo rio.

Heráclito de Éfeso

27.9.10

524. O amor físico

O amor físico obtém sua força e dignidade da alegria que se dão e possuem os amantes na consciência recíproca de sua liberdade. Então nenhuma de suas práticas é infame, porquanto não é suportada por nenhum deles e sim generosamente aceita.

Simone de Beauvoir

26.9.10

523. Más companhias

Vá cada um aonde possa pelos seus próprios meios: guias e gurus são más companhias.

José Saramago